EFEITOS DO BANHO DE GONGO EM PACIENTES COM FIBROMIALGIA DIAGNOSTICADA”

Autora: Catarina Ferrão

“Se queres descobrir os segredos do universo, pensa em termos de energia, frequência e vibração.”
(Atribuído a Nikola Tesla, s.d.)


1 INTRODUÇÃO

A dor crónica é um dos maiores desafios de saúde pública na atualidade, afetando de forma profunda o bem-estar físico, emocional e social das pessoas e gerando custos consideráveis para os sistemas de saúde. Em Portugal, a prevalência chega a mais de um terço da população adulta (Azevedo et al., 2012), refletindo um problema complexo que não se limita a sensações físicas: envolve stress, sofrimento psicológico, ansiedade e perda de autonomia (Turk et al., 2016; World Health Organization, 2019).

A fibromialgia, a segunda doença reumática mais incapacitante enquadra-se neste panorama como uma síndrome de dor crónica primária, caracterizada por dor musculoesquelética difusa, fadiga persistente, distúrbios do sono, alterações cognitivas e sintomas emocionais como ansiedade e depressão (Wolfe et al., 2016). Apesar do seu reconhecimento oficial enquanto condição médica legítima, continua a verificar-se um atraso médio de anos no diagnóstico e grandes dificuldades de acesso a cuidados adequados, o que agrava o sofrimento, o estigma e o isolamento social (Cunha-Miranda et al., 2018).

Enquanto professora de yoga e terapeuta, tenho acompanhado várias mulheres diagnosticadas com fibromialgia e observo de forma próxima as barreiras reais que enfrentam: limitações nos movimentos mais simples, incapacidade de manter certas posturas, fadiga extrema ainda antes de iniciar qualquer atividade e uma carga emocional pesada, marcada por stress e frustração. Muitas, chegam já exauridas, depois de dias de trabalho prolongados, sem qualquer cuidado proporcional com o seu bemestar físico ou psicológico. Esta vivência causa-me um sentimento misto de compaixão e impotência — porque, mesmo ajudando a induzir estados de relaxamento profundo, sinto que poderia oferecer mais.

Através de práticas como o reiki, a litoterapia, o uso de taças tibetanas ou outras formas de sound healing, consigo facilitar estados de maior serenidade e ajudar a modular a atividade cerebral, promovendo padrões de ondas mais lentas (ondas alfa ou beta) que estão associados a processos naturais de recuperação. No entanto, o banho de gongo revela-se uma ferramenta particularmente poderosa: as suas vibrações intensas e prolongadas criam um ambiente sonoro imersivo capaz de induzir estados meditativos profundos, nos quais corpo e mente se alinham para um relaxamento mais integral.

Embora seja uma técnica ainda pouco estudada de forma sistemática, as evidências disponíveis sobre musicoterapia e terapias sonoras sugerem benefícios relevantes no alívio da dor, na redução da ansiedade e na promoção do bem-estar geral.

Para além do contexto, há também uma dimensão social importante a considerar. Em grande parte, estas são mulheres trabalhadoras em contextos exigentes, muitas vezes sem adaptações que reconheçam as suas limitações. A sobrecarga de trabalho físico e emocional agrava os sintomas e limita a sua qualidade de vida. Adicionalmente, o acesso a terapias complementares — muito raramente comparticipadas — acaba por ficar restringido a quem consegue suportar os custos, criando desigualdades no acesso a cuidados mais humanizados.

Foi neste cenário que surgiu a motivação para este estudo. Pretende-se investigar de forma exploratória os efeitos do banho de gongo em mulheres com fibromialgia, não apenas para validar o seu potencial como intervenção complementar, mas também para sensibilizar para a necessidade de integrar estas práticas de forma mais acessível, ética e fundamentada no contexto dos cuidados de saúde. Considero que todos, profissionais de saúde, terapeutas, investigadores e decisores políticos, partilhamos a responsabilidade de promover abordagens mais integradas, capazes de apoiar estas mulheres na construção de maior autonomia, qualidade de vida e bem-estar emocional fundamentada no contexto dos cuidados de saúde.

2 OBJETIVOS
2.1 Objetivo geral
Avaliar os efeitos das sessões de Banho de gongo na dor crónica e qualidade de vida em pacientes com fibromialgia diagnosticados.

2.2 Objetivos específicos
Avaliar a intensidade da dor antes e depois das sessões de gongo.

Observar alterações nos níveis de fadiga antes e depois das sessões.

Avaliar a influência do banho de gongo no estado emocional de pessoas com fibromialgia.

Analisar a perceção de bem-estar geral associada à terapia de Banho de Gongo.

3 REFERENCIAL TEÓRICO
A dor crónica é hoje amplamente reconhecida como um problema de saúde pública de grande dimensão, com impactos profundos na qualidade de vida das pessoas e consequências significativas para os sistemas de saúde. É caracterizada por uma sensação persistente de dor que combina componentes sensoriais e emocionais, prolongando-se por um período superior a três meses, sendo reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma condição clínica autónoma e prioritária para intervenção (World Health Organization, 2019).

Estima-se que cerca de 20% da população adulta mundial sofra de dor crónica (Goldberg & McGee, 2011), sendo que, em Portugal, a prevalência pode ultrapassar os 36% (Azevedo et al., 2012). As implicações desta condição são extensas, abrangendo limitações funcionais, incapacidade laboral e sofrimento psicológico, com risco acrescido de depressão e ansiedade (Turk et al., 2016).

Esta realidade complexa exige abordagens terapêuticas integradas e centradas na pessoa, combinando intervenções farmacológicas e não farmacológicas. Nesse sentido, a OMS tem incentivado os Estados-Membros a regulamentar e integrar práticas tradicionais e complementares nos sistemas de saúde, destacando a importância de garantir qualidade, segurança e eficácia (World Health Organization, 2013). Em Portugal, o Plano Nacional de Prevenção e Controlo da Dor reconhece explicitamente o valor das intervenções não farmacológicas, incluindo abordagens psicológicas, educativas e terapias complementares (Direção-Geral da Saúde, 2017).

A fibromialgia insere-se neste panorama como uma síndrome de dor crónica primária, classificada na CID-11 como uma condição clínica legítima que requer atenção diferenciada. Caracteriza-se por dor musculoesquelética difusa, fadiga persistente, alterações do sono, dificuldades cognitivas e sintomas emocionais como ansiedade ou depressão (Wolfe et al., 2016; World Health Organization, 2019). A prevalência mundial situa-se entre 2% e 4%, afetando maioritariamente mulheres adultas entre os 30 e os 60 anos (Queiroz, 2013; Häuser et al., 2015).

Apesar do reconhecimento formal da doença, persistem desafios no diagnóstico atempado e no acesso a cuidados adequados. Em Portugal, os atrasos diagnósticos ultrapassam frequentemente cinco anos (Cunha-Miranda et al., 2018), prolongando o sofrimento e contribuindo para fenómenos de estigmatização e isolamento. A literatura sobre os mecanismos da fibromialgia tem evoluído para incluir, além da sensibilização central, fenómenos de sensibilização periférica e dor nociplástica — com amplificação anómala de sinais dolorosos sem lesão tecidular identificável (Clauw, 2014; Staud, 2011). Estes achados sustentam a necessidade de abordagens multimodais, considerando fatores biológicos, psicológicos e sociais interligados.

Perante esta complexidade, importa explorar estratégias que não se limitem ao modelo biomédico tradicional e que integrem dimensões psicológicas, sociais e culturais. As chamadas terapias complementares e integrativas incluem práticas como a musicoterapia, a meditação, o mindfulness, o yoga e as intervenções sonoras (National Center for Complementary and Integrative Health, 2021). Estas abordagens visam tratar a pessoa de forma holística, reconhecendo a interdependência entre o bem-estar físico, emocional e social.

A evidência científica tem vindo a apoiar progressivamente estas práticas. Revisões sistemáticas indicam que intervenções musicais podem reduzir a intensidade da dor, melhorar o humor e diminuir a ansiedade em populações com condições crónicas (Bradt et al., 2016; Lee, 2016). Entre estas abordagens sonoras destaca-se o banho de gongo, prática meditativa imersiva que utiliza sons e vibrações prolongadas para induzir estados de relaxamento profundo. Embora a investigação específica sobre o banho de gongo seja ainda limitada, estudos sobre musicoterapia e som vibracional sugerem benefícios relevantes na redução da perceção da dor e na promoção do bem-estar (Goldman, 2017; Garza-Villarreal et al., 2017).

Em pessoas com fibromialgia, as necessidades são particularmente complexas: além da gestão da dor difusa e persistente, importa reduzir a fadiga crónica, melhorar a qualidade do sono e apoiar o bem-estar emocional. Estudos qualitativos destacam experiências de incompreensão, dificuldades laborais, alterações na dinâmica familiar e risco de isolamento social (Arnold et al., 2008; Juuso et al., 2014). Neste contexto, intervenções como o banho de gongo podem oferecer uma estratégia adicional, respeitando uma abordagem bio-psico-social e incentivando o envolvimento ativo das pessoas no seu processo de cuidado.

As recomendações clínicas atuais valorizam precisamente esta abordagem multidisciplinar, combinando estratégias farmacológicas, exercício físico estruturado, educação em saúde e intervenções psicossociais. Revisões sistemáticas demonstram que combinações de terapia cognitivo-comportamental, treino de relaxamento e educação sobre a dor podem reduzir a sua intensidade e melhorar a função global (Bernardy et al., 2013; Häuser et al., 2010). Assim, mesmo práticas ainda pouco estudadas como o banho de gongo devem ser vistas como potenciais aliadas — não para substituir os cuidados biomédicos, mas para os complementar de forma responsável e fundamentada.

3.1 Marco Legal
Em Portugal, as terapias complementares e não convencionais estão enquadradas por legislação que visa garantir a sua segurança e qualidade. Existe um regime jurídico que define os requisitos de formação e regulamentação para práticas como acupunctura, homeopatia, naturopatia, fisioterapia ou osteopatia. Embora o banho de gongo não esteja especificamente mencionado entre estas terapêuticas, insere-se num conjunto mais amplo de práticas de bem-estar que podem ser integradas de forma ética e segura, desde que respeitem os limites da sua atuação e se articulem com o acompanhamento médico quando necessário.

A nível internacional, a Estratégia sobre Medicina Tradicional 2014–2023 da Organização Mundial da Saúde incentiva os Estados-Membros a regulamentar e integrar as práticas tradicionais e complementares nos sistemas de saúde, reconhecendo a sua importância cultural e o seu potencial contributo para a saúde pública, desde que seja assegurada a sua qualidade e segurança (World Health Organization, 2013).

Em Portugal, o Plano Nacional de Prevenção e Controlo da Dor (Direção-Geral da Saúde, 2017) reconhece a dor crónica como prioridade de saúde, sublinhando a necessidade de estratégias multidimensionais centradas na pessoa. Este plano valoriza explicitamente as intervenções não farmacológicas, incluindo abordagens psicológicas, educativas e complementares como parte das equipas multidisciplinares para melhorar o controlo da dor e reduzir a dependência de medicamentos.

Importa sublinhar que, apesar da existência de enquadramento legal para algumas terapêuticas não convencionais, não existe em Portugal qualquer legislação específica que ofereça um apoio estruturado, segurança ou estabilidade às pessoas com fibromialgia. Esta síndrome, sendo uma condição complexa e de causas múltiplas, continua sem planos de intervenção legalmente definidos que assegurem o acesso facilitado a cuidados integrados ou a terapias complementares comparticipadas, deixando muitas vezes as pessoas afetadas dependentes dos seus próprios recursos económicos e da sua capacidade de procurar alternativas de alívio.

3.2 Marco Social
A fibromialgia apresenta desafios significativos no plano social. Durante anos, enfrentou cepticismo clínico e social, diagnóstico tardio e subvalorização dos sintomas. Os critérios diagnósticos só foram formalizados em 1990 pelo American College of Rheumatology, sendo depois atualizados para incluir a gravidade dos sintomas e a extensão da dor (Wolfe et al., 2010; Wolfe et al., 2016).

As consequências socioeconómicas são significativas, refletindo-se em absentismo laboral, redução de produtividade e maior risco de isolamento social. A gestão das necessidades deste coletivo requer estratégias inovadoras que combinem cuidados biomédicos com abordagens que valorizem o bem-estar emocional, a autonomia pessoal e a participação social.

Além disso, em Portugal existem associações de doentes, como a Associação Portuguesa de Fibromialgia (APF), que procuram dar maior visibilidade à condição, partilhar experiências e oferecer apoio informativo. Estas entidades destacam a falta de sensibilização junto dos profissionais de saúde e a necessidade de maior compreensão das limitações associadas à doença, defendendo estratégias integradas que considerem também intervenções complementares e abordagens mais acessíveis para os utentes.

Nos últimos anos, o contexto social da fibromialgia tem vindo a mudar, com maior visibilidade em campanhas de saúde, presença em redes sociais e surgimento de grupos de defesa dos direitos dos pacientes. Plataformas online permitem partilha de experiências e acesso a informação, mas também expõem desigualdades no suporte disponível. Em Portugal e noutros países europeus, observa-se um movimento para integrar cuidados centrados na pessoa e reconhecer a voz dos doentes no desenho de políticas públicas. Este estudo destaca a importância de olhar para estas dimensões sociais atuais, onde informação, a solidariedade entre pares e o ativismo digital desempenham papéis cada vez mais relevantes na forma como se vive e gere a fibromialgia.

A fibromialgia não afeta apenas a pessoa diagnosticada, mas também o seu círculo próximo. Estudos qualitativos evidenciam o impacto na família e cuidadores, gerando sentimentos de frustração, ansiedade e necessidade de reajustar papéis no quotidiano (Liedberg & Burckhardt, 2010; Bennett et al., 2019).

A investigação sobre intervenções sonoras para dor crónica tem mostrado resultados promissores. Revisões sistemáticas confirmam benefícios consistentes da musicoterapia na redução da dor, ansiedade e sintomas depressivos (Bradt et al., 2016). Contudo, a evidência específica para fibromialgia ainda é limitada. Alguns estudos incluíram pessoas com este diagnóstico em amostras mais amplas, sugerindo efeitos positivos na dor e no bem-estar emocional (Garza-Villarreal et al., 2017).

Embora faltem investigações focadas exclusivamente em fibromialgia ou no uso de som vibracional específico como o banho de gongo, há dados preliminares sobre práticas semelhantes, como o uso de taças tibetanas, que indicam melhorias no humor e no relaxamento (Goldsby et al., 2017). Estes resultados sustentam a necessidade de estudos exploratórios em pessoas com fibromialgia para avaliar a segurança, a aceitabilidade e os potenciais benefícios destas intervenções. O presente trabalho pretende oferecer um contributo inicial nesse sentido, explorando os efeitos percebidos em dimensões como dor, fadiga, estado emocional e bem-estar geral.

3.3 Fundamentação Prática: Estudos de Caso Relatados
Além da revisão da literatura e do enquadramento legal e social, importa referir experiências práticas que reforçam a relevância de investigar o potencial terapêutico do banho de gongo em contextos de saúde. Estudos de caso exploratórios realizados por terapeutas formados em terapia sonora evidenciam benefícios percebidos na redução da dor crónica, na regulação emocional e na diminuição do stress. Embora estes relatos não constituam ensaios clínicos formais, oferecem dados qualitativos valiosos que fundamentam a necessidade de estudos mais sistemáticos e com desenho metodológico rigoroso. A seguir, apresentam-se dois estudos de caso relatados por colegas terapeutas, cujas observações motivaram a presente investigação e ilustram aplicações práticas do banho de gongo em diferentes problemáticas de saúde.

Estudo de Caso 1
Título: Efeitos de um caso de Fibromialgia tratado com terapia vibracional de som com gongo
Autor: António Luís Vicente Pachés (2021)
Data: 15/01/2021

Este estudo de caso foi desenvolvido no âmbito de um projeto de formação em terapia sonora, com o objetivo de explorar os efeitos da terapia vibracional com gongo numa participante com fibromialgia de longa duração.

A participante era uma mulher de 59 anos, com diagnóstico médico confirmado de fibromialgia e história de 20 anos de evolução da doença, com prescrição farmacológica regular. Apresentava uma sintomatologia complexa, incluindo queda de cabelo, ausência de libido, padrão digestivo irregular, respiração disfuncional, ansiedade de tipo bulímico, cefaleia e elevado nível de frustração.

A intervenção decorreu num estúdio de terapias, em ambiente acolhedor e preparado para favorecer o relaxamento. Foram realizadas seis sessões no total, com frequência de duas vezes por semana. Cada sessão seguia um protocolo estruturado em várias fases:

– Início com instrumentos como tambor xamânico, maracas, flauta nativa e sino tibetano para preparar o estado mental e emocional.

– Fase principal com som vibracional prolongado através do gongo, visando induzir estados de relaxamento profundo e alterar perceções sensoriais associadas à dor.

A participante relatou uma sensação marcada de paz, referindo ter-se sentido profundamente conectada com uma parte de si que lhe transmitia energia, confiança e apoio. De forma mais objetiva, destacou melhorias claras em diversos sintomas que eram avaliados no seu estado inicial: redução da intensidade da dor (chegando por vezes a zero), diminuição de tonturas, melhoria do ânimo, redução de cefaleias, respiração mais regular, menor nível de frustração, redução da fadiga, melhoria do padrão intestinal e redução da rigidez matutina.

Este estudo de caso evidencia o potencial da terapia vibracional com gongo como intervenção complementar em pessoas com fibromialgia complexa, sugerindo a utilidade de investigar estes efeitos em estudos sistemáticos com amostras maiores e metodologias mais controladas.

Estudo de Caso 2
Título: Efeito da terapia de som com gongo na gestão do stress de um CEO durante a construção da sua empresa
Autora: Anyeline Salazar Amador (2024)
Data: 15/08/2024

Este estudo de caso foi desenvolvido como parte de um projeto de formação em terapia sonora, com o objetivo de explorar o impacto do banho de gongo na gestão do stress em ambiente corporativo, especificamente em contexto de liderança empresarial exigente.

O participante era um homem de 50 anos, CEO residente em Salt Lake City, Utah (EUA), envolvido na fase inicial de construção e expansão da sua empresa. Apresentava níveis elevados de stress e um diagnóstico clínico confirmado de fibromialgia (considerada uma forma de dor crónica generalizada), artrite autoimune e uma condição congénita designada como má rotação intestinal, que dificulta a correta absorção de nutrientes e provoca episódios de debilidade e distúrbios digestivos. Recebia medicação e suplementos regulares para estas condições.

Foi informado de forma clara e completa sobre a terapia de som com gongo como tratamento complementar, proposta como parte de um plano mais amplo de promoção de bem-estar. Expressou o seu consentimento informado para participar, reconhecendo o caráter exploratório e complementar da intervenção.

O programa consistiu em sessões online. Em cada sessão, o participante era orientado a deitar-se confortavelmente.

A sessão começava com uma introdução verbal em tom relaxante para promover um estado mental mais recetivo, seguida de aproximadamente 45 minutos de som vibracional. Os gongos (sinfónicos lá# 110–114 Hz e Mi 80 Hz) foram utilizados durante cerca de 90% do tempo, enquanto instrumentos adicionais como shrutti box, taças tibetanas (Mi 80 Hz, Si 435 Hz) e sinos Koshi, 5%. Cada sessão encerrava com 5 a 10 minutos de silêncio integrativo.

Antes e depois das sessões, o participante preenchia um formulário com uma escala subjetiva de cinco pontos abordando parâmetros como tristeza, stress e ansiedade.

Os resultados apontaram para uma redução significativa nos níveis percebidos de stress e ansiedade, maior estabilidade emocional e melhor capacidade para lidar com pressões quotidianas. O participante relatou sentir-se mais conectado com emoções reprimidas, conseguindo reconhecer medos e inseguranças com maior clareza. Referiu ainda um positivo na qualidade do sono e uma sensação geral de leveza e bem-estar.Este estudo sugere que a terapia de som com gongo pode funcionar como estratégia complementar eficaz na redução do stress em contextos corporativos de alta exigência, promovendo estados de relaxamento profundo e autoexploração emocional.

Contudo, foram identificadas limitações importantes, como a natureza altamente subjetiva da experiência, o número reduzido de sessões e a ausência de instrumentos de avaliação padronizados e validados. Estes aspetos reforçam a necessidade de investigação mais sistemática e controlada para determinar com maior rigor os efeitos do banho de gongo na gestão de stress, ansiedade e outras dimensões de saúde efeito mental.

4. METODOLOGIA
4.1 Projeto
O presente projeto caracteriza-se como um estudo quantitativo, descritivo e longitudinal.

É considerado quantitativo porque envolve a recolha e análise sistemática de dados numéricos, permitindo quantificar as variações reportadas pelas participantes em diferentes dimensões subjetivas.

Assume caráter descritivo, na medida em que procura observar, descrever e documentar fenómenos relacionados com a experiência do banho de gongo em mulheres com fibromialgia, sem manipular variáveis independentes ou introduzir alterações experimentais.
Apresenta ainda um delineamento longitudinal, uma vez que a informação foi recolhida em vários momentos ao longo do tempo, aplicando-se repetidamente a escala tipo Likert antes e depois de cada uma das nove sessões semanais, para permitir a comparação das perceções e sintomas ao longo do protocolo

4.2 Sujeitos do estudo
A amostra inicial incluiu oito mulheres com diagnóstico médico confirmado de fibromialgia. As idades variaram entre os 40 e os 73 anos, com tempo desde o diagnóstico também muito variável (entre um mês e vinte anos). As participantes tinham ocupações diversas, incluindo professora, reformadas, administrativa, sales executiva, assistente técnica financeira e técnica de segurança no trabalho.

Uma das participantes desistiu voluntariamente após a terceira sessão, referindo que, embora tivesse previamente experiências positivas com sessões de taças tibetanas, percebia o som dos gongos, mesmo tocados a baixa intensidade, como agressivo, catalisador de dor acrescida e stress, em vez de relaxamento. Os dados quantitativos dessa participante foram incluídos apenas até ao momento da sua participação. Com o seu consentimento, foi recolhido um testemunho final para análise qualitativa.

Todas as participantes assinaram um consentimento informado antes do início do estudo, garantindo a confidencialidade através da utilização de códigos compostos pelas iniciais do nome. O termo de consentimento explicava os objetivos do estudo, assegurava o carácter voluntário da participação e explicitava o direito de desistência a qualquer momento.

4.3 Âmbito e duração do estudo
O estudo foi realizado no meu centro de yoga. O espaço possui chão em madeira, acústica média (sem isolamento específico) e iluminação suave para favorecer o relaxamento. A sala foi mantida com temperatura confortável, permitindo que as participantes se deitassem em colchões com mantas e almofadas para maior bem-estar. À chegada, as participantes podiam conversar entre si até ao início formal.

Durante o banho de gongo, permaneciam deitadas em colchões com almofadas e mantas para conforto, podendo mover-se ou mudar de posição conforme necessário. Embora estivesse prevista a possibilidade de permanecer sentada, todas optaram pela posição deitada.
Foram dadas instruções para iniciar com uma respiração longa, profunda e calma, com sugestão de focarem uma intenção de cura pessoal para a sessão. No final, era oferecido um copo de água, energizada pela vibração do som, previamente mantida num jarro de vidro exposto ao som e vibração dos gongos, também como forma simbólica de integração e encerramento.

As sessões decorreram sempre no mesmo horário fixo, às quintas-feiras, às 19h30, criando uma rotina estável e previsível para o grupo.
O período do estudo foi de 27 de fevereiro a 24 de abril de 2025, com a realização de nove sessões semanais consecutivas

4.4 Recolha de Informação
A recolha de dados foi feita através de questionários em formato papel, preenchidos presencialmente pelas participantes antes e depois de cada sessão semanal de Banho de Gongo. Posteriormente, os dados foram transcritos para o Google Forms, mantendo a estrutura original, e exportados para Excel para organização e análise estatística, com cálculo de médias, desvios padrão e criação de representações gráficas ilustrativas da evolução dos sintomas ao longo das sessões.

Escala Likert
Foi utilizado um questionário do tipo Likert de 9 pontos, desenvolvido especificamente para este estudo e inspirado no Questionário de Benefícios Gong Vikrampal V22-01.

A escala Likert é uma técnica de medição ordinal muito usada em ciências sociais e saúde, permitindo transformar perceções ou opiniões subjetivas em valores numéricos. Consiste em pedir às participantes que indiquem um valor ao longo de um continuum, representando diferentes níveis de intensidade ou concordância.

O objetivo foi captar variações subtis ao longo das sessões, reconhecendo a natureza complexa e flutuante da dor crónica.
Número de itens e perguntas aplicadas:

O questionário incluía quatro itens cuidadosamente escolhidos para refletir dimensões centrais na experiência de quem vive com fibromialgia:

  • Intensidade da dor
  • Fadiga
  • Estado emocional
  • Bem-estar geral

As perguntas foram redigidas em linguagem clara, acessível e direcionada à autoavaliação subjetiva destas dimensões, facilitando o entendimento por todas as participantes e garantindo respostas mais espontâneas e sinceras.

Estrutura da escala e legenda::
A escala apresentava nove pontos numerados de 1 a 9, com a seguinte legenda:

1 = intensidade mínima ou ausência do sintoma

9 = intensidade máxima ou mais intensa possível

Esta amplitude foi escolhida para oferecer maior sensibilidade à deteção de pequenas variações entre sessões, valorizando o relato pessoal e reconhecendo a flutuação natural dos sintomas numa condição crónica.

Validação do instrumento:
O questionário foi concebido especificamente para este protocolo, com base nos itens centrais do Questionário de Benefícios Gong Vikrampal V22-01. Não corresponde a uma versão validada oficialmente ou a uma reprodução literal, mas a uma adaptação consciente e fundamentada, para garantir maior relevância e aplicabilidade ao contexto específico do Banho de Gongo com mulheres diagnosticadas com fibromialgia. Esta adaptação assegurou coerência metodológica e alinhamento com a experiência real das participantes.

Instrumentos e materiais utilizados
As sessões decorreram num espaço cuidadosamente preparado, com chão em madeira, iluminação suave e temperatura confortável para favorecer o relaxamento. As participantes dispunham de colchões individuais com mantas e almofadas, podendo ajustar a posição para maior bem-estar.

Foram utilizados dois gongos planetários (Marte e Saturno) e um gongo sinfónico como instrumentos principais para o banho de gongo .

Para a preparação inicial (~5 minutos), foram tocadas taças tibetanas bianuais, criando um ambiente vibracional propício à calma e r relaxamento com o fim de induzir onda ondas cerebrais mais baixas. O chanti, com o seu som contínuo e suave, foi usado brevemente para marcar simbolicamente o encerramento sonoro.

Na indução inicial (~6–7 minutos): orientação para a respiração consciente, libertação de tensões e definição de uma intenção pessoal de cura.

No despertar final com voz retornando progressivamente à consciência corporal e ao espaço físico, com movimentos suaves. Por fim, o preenchimento do questionário final.

4.5 Procedimentos de Recolha de Informação
A recolha de dados foi realizada presencialmente, no meu centro de yoga, no mesmo local onde decorriam as sessões de Banho de Gongo. Antes do início do ciclo de nove sessões semanais, foi organizada uma sessão zero que serviu para criar um primeiro contacto humano com o grupo e garantir o alinhamento de expectativas. Durante essa sessão, foram explicados de forma clara e acessível os objetivos do estudo, os procedimentos previstos e os direitos de cada participante. Todas as dúvidas foram esclarecidas, procurando criar um ambiente de confiança.

Cada participante assinou um termo de consentimento livre e esclarecido, onde se explicitava o caráter voluntário da participação, o direito de desistência a qualquer momento, a proteção da confidencialidade através de códigos de identificação escolhidos pelas próprias, bem como a forma como os dados seriam utilizados. A confidencialidade foi assegurada em todas as fases do estudo, em conformidade com a legislação portuguesa aplicável (Lei n.º 58/2019, Lei n.º 27/2021), com o compromisso de manter o anonimato em qualquer publicação ou apresentação dos resultados.

Durante cada sessão semanal, as participantes chegavam com tempo para se instalarem no espaço, um ambiente cuidado, para facilitar o relaxamento. Eram convidadas a deitar-se em colchões individuais com mantas e almofadas, podendo ajustar a posição conforme necessário.

A recolha de dados envolvia o preenchimento de dois questionários em papel em cada sessão: um imediatamente antes do início do banho de gongo, capturando o estado subjetivo inicial, e outro após o final, registando alterações percebidas. Cada aplicação tinha um tempo médio de cerca de sete minutos, e o preenchimento era supervisionado diretamente por mim ou por uma colaboradora, para garantir uniformidade, esclarecer dúvidas e recolher os formulários de forma organizada.

Cada sessão seguia um protocolo cuidadosamente estruturado para manter a consistência metodológica e otimizar a experiência:

  • Indução guiada (~6–7 minutos) com voz, orientando a respiração consciente, a libertação de tensões e a definição de uma intenção pessoal de cura.
  • Preparação sonora (~5 minutos) com taças tibetanas bianuais.
  • Banho de gongo (~45 minutos) com sequências planeadas e variações suaves de intensidade.
  • Três minutos de silêncio para absorção sonora.
  • Encerramento breve com chanti.
  • Despertar final (~5–10 minutos) com voz, guiando o retorno progressivo à consciência corporal e ao espaço.
    Adicionalmente, no final do ciclo de sessões, recolhi testemunhos abertos das participantes que quisessem partilhar a sua experiência de forma mais subjetiva. Estes testemunhos foram analisados qualitativamente para identificar temas emergentes, frases representativas e aspetos positivos ou negativos, incluindo o relato de uma participante que desistiu por considerar o som dos gongos demasiado intenso ou agressivo.

5 ANÁLISE DE DADOS E RESULTADOS
Nesta secção descreve-se o processo de organização e tratamento dos dados recolhidos ao longo do estudo, bem como os principais resultados obtidos.

Os dados foram organizados por variável (intensidade da dor, fadiga, estado emocional e bem-estar geral) e por sessão, sendo recolhidos antes e depois de cada uma das nove sessões semanais.

Utilizou-se uma escala de Likert de 1 a 9 pontos para quantificar perceções subjetivas, permitindo comparar alterações entre os momentos pré e pós sessão e avaliar tendências ao longo do programa.

As análises foram realizadas no Microsoft Excel, permitindo o cálculo de médias aritméticas, desvios-padrão e frequências relativas para cada variável. Criei gráficos em formato de barras e linhas para ilustrar a evolução dos dados ao longo das sessões, facilitando a visualização de padrões gerais e diferenças entre momentos.

Este procedimento descritivo teve como objetivo identificar variações nos sintomas auto relatados e apoiar a interpretação dos potenciais efeitos do banho de gongo em mulheres com fibromialgia.

De forma geral, os resultados mostraram uma tendência consistente de melhoria em todas as variáveis ao longo das nove sessões. Observou-se redução das médias de intensidade da dor e da fadiga após as sessões, bem como aumento nas médias de estado emocional e bem-estar geral.

Além do efeito imediato (comparação pré e pós sessão), os dados sugerem um efeito cumulativo, com valores antes das sessões melhorando ao longo do programa (valores basais de dor e fadiga mais baixos nas últimas sessões; valores de estado emocional e bem-estar mais elevados).

Intensidade da Dor
A média inicial situou-se em cerca de 5,84 pontos, reduzindo-se para 4,49 após as sessões (diferença média de –1,35 pontos).
As maiores reduções foram observadas nas últimas sessões (sessão 9: –1,86 pontos), sugerindo um efeito progressivo associado à prática continuada.
Esta evolução aponta para um impacto positivo na perceção subjetiva da dor.

Fadiga
A média inicial foi aproximadamente 6,19 pontos, caindo para 4,27 após as sessões (redução média de –1,92 pontos).
A maior redução ocorreu na sessão 2 (–2,57 pontos) e a menor na sessão 8 (–1,28 pontos).
Os dados indicam um alívio imediato da fadiga e sugerem também um efeito cumulativo, com níveis pré-sessão mais baixos nas últimas semanas.

Estado Emocional
A média antes das sessões foi de 4,94 pontos, aumentando para 6,98 após as sessões (ganho médio de +2,05 pontos).
Em todas as sessões se registou aumento, com maior subida na sessão 5 (+3,00 pontos) e menor na sessão 3 (+1,00 ponto).
Esta evolução revela um efeito emocional positivo imediato e uma melhoria gradual do estado emocional basal ao longo das sessões.

Bem-Estar Geral
A média inicial situou-se em 4,76 pontos, subindo para 6,76 após as sessões (aumento médio de +2,00 pontos).
A maior subida ocorreu na sessão 9 (+3,57 pontos) e a menor na sessão 4 (+1,15 pontos).
Observa-se um efeito positivo consistente, com melhorias claras tanto imediatas como ao longo do programa.

Sobre os Gráficos
Foram elaborados gráficos para cada variável, representando a evolução das médias antes e depois das sessões, ao longo das nove semanas.

Adicionalmente, foi criado um gráfico geral comparando as quatro variáveis para permitir uma visualização integrada dos padrões de resposta.

Estes gráficos confirmam visualmente a tendência geral de redução dos sintomas físicos e a melhoria do estado emocional e do bem-estar geral.

Conclusão dos Resultados
Os resultados sugerem um efeito terapêutico positivo do banho de gongo em mulheres com fibromialgia, com reduções consistentes na intensidade da dor e da fadiga, e melhorias significativas no estado emocional e na perceção de bem-estar geral. A evolução ao longo das sessões sugere não só um efeito agudo imediato, mas também um possível efeito cumulativo associado à prática continuada.

Estes achados sustentam a hipótese de que a terapia de gongos pode constituir uma intervenção complementar relevante no acompanhamento de pessoas com fibromialgia, ainda que sejam necessárias investigações mais controladas para confirmar estes efeitos.

Fig.1-Evolução das Médias de Todas as Variáveis Antes e Depois das Sessões

A média da intensidade da dor relatada antes das sessões foi de 5,84 (em uma escala de 1 a 9), indicando um nível moderado de dor inicial entre os participantes. Após as sessões de terapia com gongos, essa média reduziu-se para 4,49, evidenciando uma diminuição de -1,35 pontos. Essa diferença sugere que a intervenção teve um efeito positivo na redução da dor percebida pelas participantes.

Fadiga
No que diz respeito à fadiga, observou-se um padrão semelhante ao da dor. A média inicial foi de 6,19, o que aponta para um nível elevado de cansaço físico ou mental antes das sessões. Após a realização da terapia, essa média caiu para 4,27, representando uma diminuição significativa de -1,92 pontos. Esta redução reforça a hipótese de que a terapia com gongos contribui para o alívio do cansaço ou exaustão dos indivíduos envolvidos.

Estado Emocional
O estado emocional, por sua vez, demonstrou uma melhoria expressiva. A média antes das sessões foi de 4,94, indicando uma perceção emocional abaixo do ideal. Após as sessões, a média aumentou para 6,98, correspondendo a um ganho de +2,05 pontos. Este aumento revela uma clara elevação do estado emocional dos participantes, o que pode ser atribuído ao caráter relaxante, meditativo e sensorial da terapia de gongos.
Bem-Estar Geral
Por fim, o bem-estar geral também apresentou resultados bastante positivos. A média antes das sessões foi de 4,76, enquanto após as sessões subiu para 6,76, representando um aumento de +2,00 pontos. Esta variação positiva reflete uma melhoria global na perceção de saúde e equilíbrio subjetivo das participantes após cada sessão terapêutica.

Os dados apontam para melhorias consistentes em todas as dimensões avaliadas. As reduções nas médias de dor e fadiga, juntamente com os aumentos nas médias de estado emocional e bem-estar geral, sugerem que a terapia de gongos promove efeitos terapêuticos relevantes e positivos a curto prazo. Ainda que a presente análise seja baseada em médias e diferenças simples, os resultados demonstram uma tendência favorável que justifica investigações mais aprofundadas, incluindo testes estatísticos de significância e análises de longo prazo.
Figura 2 – Evolução da Intensidade da Dor ao Longo das Sessões

A análise por sessão revela uma tendência geral de redução da dor percebida ao longo do programa terapêutico. A diminuição ocorre de forma sistemática em todas as 9 sessões:

A maior redução ocorreu na 9ª sessão, com -1,86 pontos.

A menor redução foi na 3ª sessão, com -0,86 pontos.

É visível que nas sessões mais avançadas (sessões 8 e 9), as médias iniciais já começam mais baixas, o que pode indicar um efeito cumulativo da terapia.

Interpretação dos Resultados
A consistência da redução da dor em todas as sessões reforça a hipótese de que a terapia com gongos tem efeito imediato positivo na dor percebida pelas participantes.

A redução média por sessão (–1,35 pontos) é substancial numa escala de 1 a 9, o que demonstra que os efeitos não são apenas estatisticamente relevantes, mas também clinicamente significativos.

O padrão de redução contínua, especialmente nas últimas sessões, pode refletir tanto os efeitos agudos (imediatos) quanto um possível efeito acumulado ao longo do tempo
Figura 3 – Evolução da Fadiga ao Longo das Sessões

Assim como ocorreu com a intensidade da dor, os dados de fadiga mostram uma redução consistente em todas as sessões, o que aponta para efeito positivo da terapia de gongos sobre a sensação de cansaço físico e mental.

Destaques:
Maior redução: Sessão 2 (–2,57)
Menor redução: Sessão 8 (–1,28)

A partir da sessão 7, nota-se uma tendência de níveis iniciais de fadiga mais baixos, o que pode sugerir um efeito acumulativo da terapia ao longo do tempo.

Interpretação dos Resultados
Os dados de fadiga reforçam o padrão observado nas demais variáveis:
A fadiga relatada antes das sessões apresenta valores elevados nas primeiras sessões (acima de 6), mas tende a cair à medida que o programa avança.

A fadiga após as sessões mostra redução significativa e constante, com valores médios se aproximando de 4 ou até menos nas últimas sessões.

Essa evolução sugere dois efeitos importantes:

  • Efeito agudo da sessão: há uma sensação imediata de relaxamento ou recuperação física após cada encontro.
  • Efeito progressivo e duradouro: à medida que as participantes realizam mais sessões, começam a apresentar menos fadiga ao chegar.

Conclusão
A terapia de gongos demonstrou ter um efeito claro e consistente na redução da fadiga percebida pelas participantes. Os dados apontam para um impacto tanto imediato quanto acumulativo, com redução média de 1,92 pontos por sessão, o que é expressivo dentro de uma escala de 9 pontos.

Esses achados sustentam a hipótese de que a prática regular da terapia sonora pode contribuir significativamente para o alívio do cansaço físico e mental, podendo ser considerada uma estratégia complementar de autocuidado e promoção da qualidade de vida.

Figura 4 – Evolução do Estado Emocional ao Longo das Sessões

Os dados revelam uma melhora consistente e significativa no estado emocional após cada sessão de terapia de gongos. Em todas as sessões observou-se um aumento na média emocional, sem exceções, o que evidencia um efeito emocional positivo imediato da prática.

Destaques:
Maior aumento observado: Sessão 5 (+3,00)
Menor aumento observado: Sessão 3 (+1,00)

A partir da sessão 5, os valores após a sessão ultrapassam 7 em quase todas as ocasiões, indicando um estado emocional próximo do máximo da escala.

Interpretação dos Resultados
Estes dados sugerem um forte efeito benéfico da terapia de gongos sobre o estado emocional das participantes. A evolução mostra que:Há uma melhora emocional imediata e significativa após cada sessão.

O estado emocional pré-sessão também melhora com o tempo, ainda que de forma mais sutil, o que pode indicar um efeito acumulativo ou prolongado entre as sessões.

Esse padrão é coerente com a hipótese de que práticas sonoras vibracionais, como a terapia de gongos, têm potencial para induzir estados de relaxamento profundo, restaurar equilíbrio emocional e proporcionar bem-estar psicológico.

Conclusão
A terapia de gongos parece exercer um efeito emocional altamente positivo e consistente ao longo das sessões. O aumento médio de +2,05 pontos após as sessões, dentro de uma escala de 1 a 9, é estatisticamente e clinicamente relevante.

Além disso, a progressão dos dados sugere que as participantes não apenas saem das sessões emocionalmente melhores, como também chegam às sessões subsequentes em melhores condições emocionais do que nas sessões anteriores. Isso pode indicar um efeito de transformação emocional cumulativa promovido pela prática regular da terapia.

Fig 5- Bem-estar geral Tendência Observada ou evolução do bem estar geral

Os dados apontam para uma melhora clara e consistente na perceção de bem-estar geral ao final de cada sessão. Em todas as sessões houve aumento, e nas últimas sessões os valores alcançam níveis próximos ao topo da escala.

Destaques:
Maior aumento observado: Sessão 9 (+3,57 pontos) – indicando forte impacto na reta final do processo.
Menor aumento observado: Sessão 4 (+1,15 pontos) – ainda assim, uma melhora significativa.
Sessões 8 e 9 mostraram níveis pós sessão acima de 7, sugerindo um efeito crescente ou acumulativo da prática.

Interpretação dos Resultados
Esses dados reforçam os efeitos observados em outras variáveis (dor, fadiga e estado emocional):

  • Efeito imediato (agudo): Em todas as sessões, o bem-estar geral aumentou após a aplicação da terapia, com ganhos consistentes entre 1,15 e 3,57 pontos.
  • Efeito acumulativo (progressivo): Ao longo das sessões, nota-se uma leve melhora nos valores antes da sessão, o que sugere que a terapia pode estar tendo efeitos duradouros entre sessões, melhorando o estado basal das participantes.

Além disso, a combinação de aumento no bem-estar com a redução simultânea da dor e da fadiga sugere um efeito holístico da terapia de gongos, agindo sobre múltiplas dimensões da experiência subjetiva.

Conclusão

Os dados evidenciam que a terapia de gongos promove um impacto significativamente positivo no bem-estar geral das participantes. Com um aumento médio de +1,92 pontos por sessão, dentro de uma escala de 9 pontos, os resultados indicam que a prática tem um forte potencial como intervenção complementar para promoção do equilíbrio e vitalidade.
O aumento progressivo nos níveis de bem-estar nas sessões finais sugere ainda que os efeitos benéficos podem ser acumulativos, reforçando o valor de programas contínuos e regulares com esta abordagem.

 

6 DISCUSSÃO
Comparação com a Literatura Científica
A terapia de gongos insere-se no campo das terapias sonoras vibracionais, que incluem outras práticas como os sinos tibetanos, taças de cristal, música meditativa e o uso de frequências sonoras específicas. Vários estudos têm abordado os efeitos fisiológicos e psicológicos dessas terapias.

Efeitos sobre dor, fadiga, bem-estar e estado emocional
Goldsby et al. (2017), num estudo publicado no Journal of Evidence-Based Integrative Medicine, avaliaram os efeitos de sessões de «sound healing» com taças tibetanas em adultos. Os participantes relataram reduções estatisticamente significativas em tensão, raiva, fadiga e depressão, além de melhora no bem-estar espiritual.

Garcia-Navarro et al. (2020) estudaram intervenções com som em pacientes com dor crônica e identificaram reduções relevantes na percepção da dor e na ansiedade após sessões com sons vibracionais graves (gongs, tambores e frequências baixas).
Pelletier (2004) realizou uma meta-análise de 22 estudos sobre os efeitos da música na resposta psicofisiológica e observou que música e sons com frequência específica influenciam a frequência cardíaca, níveis hormonais de estresse e perceção de dor.

Interpretação e Avaliação Crítica dos Resultados
O presente estudo de caso revelou evidências claras e consistentes de que a terapia de gongos reduziu a dor percebida, a fadiga e aumentou o bem-estar e o estado emocional positivo das participantes ao longo de 9 sessões. A evolução dos dados mostra:

Os efeitos imediatos observados em cada sessão (melhora emocional e redução de sintomas físicos) estão em concordância com os estudos mencionados.

A consistência ao longo das sessões e os efeitos acumulativos (valores antes das sessões melhorando progressivamente) reforçam o que autores como Goldsby et al. já haviam sugerido — que o uso regular da terapia sonora pode ter benefícios duradouros.

A elevada eficácia emocional observada nas últimas sessões (valores acima de 7 numa escala de 9) confirma a capacidade da terapia de promover homeostase emocional e um estado de relaxamento profundo e revitalização psicoafectiva.

Conclusão Interpretativa
Este estudo de caso mostra que a terapia de gongos promove efeitos benéficos significativos e alinhados com a literatura científica disponível. Há evidência consistente de alívio de sintomas físicos (dor e fadiga) e melhora emocional e de bem-estar geral, tanto imediata quanto progressiva ao longo das sessões.

Embora os resultados sejam promissores, seria recomendável que futuras pesquisas adotem designs experimentais mais robustos (com grupo controle, randomização e medidas objetivas), a fim de validar cientificamente os achados em amostras maiores e contextos clínicos mais diversos.

Limitações
As limitações encontradas ao longo do desenvolvimento deste estudo foram:
– Subjetividade das respostas, sem termo de comparação
– Tempo limitado para acompanhar o estudo de caso
– Ausência de grupo de controlo
– Amostra em número limitado.

 

7 CONCLUSÃO

O presente estudo explorou os efeitos do Banho de Gongo como intervenção complementar para mulheres com fibromialgia, procurando caracterizar mudanças percebidas em domínios como a dor, a fadiga, o estado emocional e o bem-estar geral ao longo de nove sessões semanais.

Este foi um trabalho de caráter exploratório, com amostra reduzida e sem grupo de controlo, mas procurou registar de forma rigorosa as perceções subjetivas antes e depois de cada sessão. Mesmo com estas limitações, os resultados sugerem benefícios percebidos pelas participantes e abrem espaço para reflexão sobre o valor das terapias sonoras vibracionais em contextos de dor crónica.

Reflexão crítica e análise por objetivos

Em relação ao primeiro objetivo específico, avaliar a intensidade da dor antes e depois das sessões, observou-se uma redução média consistente na dor relatada, sugerindo um efeito analgésico imediato e possivelmente cumulativo. Importa, contudo, reconhecer que estas são perceções subjetivas e que fatores como a expectativa, o ambiente terapêutico ou a relação com o facilitador podem ter influenciado os resultados.

Para o segundo objetivo, sobre os níveis de fadiga, os dados indicaram uma descida clara nas médias ao longo das sessões. Ainda assim, a fadiga na fibromialgia é um fenómeno multifatorial, ligado a distúrbios do sono, stress psicológico e exigências do quotidiano. A variação entre sessões reflete esta complexidade.

No terceiro objetivo, avaliar o estado emocional, verificou-se uma melhoria gradual e consistente, com aumentos médios superiores a 2 pontos numa escala de 9. Este dado sugere que o som vibracional, aliado a um ambiente seguro e acolhedor, pode facilitar relaxamento profundo e autorregulação emocional. Contudo, a experiência foi variável entre participantes e dias, mostrando a importância dos fatores individuais.

O quarto objetivo, analisar o bem-estar geral, revelou um aumento consistente ao longo das sessões. É importante sublinhar que o bem-estar é um conceito amplo e subjetivo, influenciado por múltiplos aspetos da experiência: o som, o grupo, a intenção pessoal, o espaço calmo, o tempo reservado para si.

Em síntese, o Banho de Gongo demonstrou-se um recurso complementar promissor, favorecendo relaxamento, alívio de sintomas físicos e melhoria emocional para algumas mulheres com fibromialgia. Ainda assim, é necessário interpretar estes resultados com cautela.

Limitações do estudo

As principais limitações identificadas incluem:

  • Amostra reduzida e sem grupo de controlo.
  • Respostas subjetivas sem instrumentos validados em português.
  • Influência de fatores contextuais e relacionais.
  • Tempo limitado de acompanhamento.

Avaliação global
Apesar destas limitações, este trabalho oferece um contributo inicial para a compreensão do potencial terapêutico do Banho de Gongo em contexto de fibromialgia. Traz também à luz a importância de abordagens integrativas, humanizadas e centradas na pessoa em problemas complexos de saúde como a dor crónica.

Futuros caminhos de investigação
Para aprofundar e validar os achados, recomenda-se:

  • Ensaios clínicos controlados e randomizados, com grupos de controlo e amostras maiores.
  • Utilização de instrumentos de avaliação mais robustos e consistentes para medir variáveis psicossociais e físicas.
  • Investigação sobre a “dose ótima” (número e frequência de sessões).
  • Exploração de experiências subjetivas mais ricas através de metodologias qualitativas aprofundadas.

Em última análise, qualquer proposta de cuidado só fará sentido se for integrada numa visão mais ampla de saúde, dignidade e justiça social, reconhecendo as condições que perpetuam o sofrimento destas mulheres e propondo estratégias de cuidado mais acessíveis, respeitosas e eficazes.

 

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